Emprego industrial de SP sobe em fevereiro pelo 6o mês
Por José de Castro SÃO PAULO (Reuters) - A recuperação da economia
brasileira permitiu que o emprego na indústria paulista tivesse o melhor mês de
fevereiro desde 2006, registrando a sexta alta mensal consecutiva e o ritmo
mais forte desde novembro do ano passado.
O índice
subiu 0,81 por cento em fevereiro ante janeiro, segundo dados com ajuste
sazonal, com a abertura de 23 mil vagas, informou a Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quinta-feira.
Sem ajuste sazonal, houve alta de 1,07 por cento em fevereiro. No ano, o nível
de emprego na indústria do Estado acumula avanço de 1,58 por cento, com 34 mil
contratações.
"Estamos em uma velocidade (de recuperação) que se compara à dos anos de
2007 e 2008", disse o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp,
Paulo Francini.
"(Foi um) bom resultado. Isso mostra que estamos numa trajetória afinada
de crescimento do emprego e em linha com a recuperação econômica",
acrescentou.
Dos 22 setores pesquisados, 17 tiveram contratações, 3 relataram demissões e 2
informaram estabilidade do emprego.
A principal alta em termos percentuais no mês passado ocorreu no setor de Couro
e fabricação de artefatos, artigos para viagem e calçados, com variação
positiva de 3,5 por cento sobre janeiro, seguido por Produtos alimentícios, com
avanço 3,1 por cento.
Entre as demissões, destacou-se o setor de Bebidas, com queda no nível de
emprego de 0,7 por cento.
Em números absolutos, os destaques positivos foram de Produtos Alimentícios,
com 8.042 vagas abertas, e Produtos de borracha e de material plástico, com
3.056. Por outro lado, o segmento de Bebidas registrou 232 demissões, pior
desempenho entre os setores pesquisados.
Pouco menos de um terço da alta sem ajuste sazonal de 1,07 por cento no mês
passado corresponde à criação de empregos no ramo sucroalcooleiro, que
registrou 7.089 contratações. A explicação para isso, de acordo com Francini,
vem do fato de as usinas terem antecipado o início de suas operações para a
safra.
Ele afirmou também que as causas para o crescimento do emprego nesse setor
estão ligadas a questões tecnológicas.
"O ideal para a usina é aumentar o máximo possível sua produtividade. Isso
provoca um aumento da geração de empregos, algo que em geral (nesse setor)
costuma acontecer apenas em março", lembrou.
PREVISÕES
A Fiesp estima um crescimento de 6,2 por cento no emprego industrial em 2010, o
que corresponde a um número de vagas abertas entre 130 mil e 140 mil.
"Teremos (em 2010) uma recuperação bastante positiva do emprego
industrial", disse Francini.