Desempregados se dizem excluídos pelos empregadores
Muitas
pessoas se queixam de que não conseguem emprego porque passaram dos 40 anos.
Quem tem algum tipo de deficiência também reclama e ainda os que não tiveram
muita chance de estudar.
O emprego
cresceu em todas as regiões do país. Indústria. Serviços. Construção civil,
segundo o cadastro geral de empregados do ministério do trabalho. Em doze meses
foram criados quase um milhão e trezentos mil postos.
Mas nem todo trabalhador comemora. Há alguns grupos que se sentem excluídos
porque dificilmente se encaixam no perfil de vaga que é exigido pela empresa.
São desempregados com mais de quarenta anos , outros com baixa escolaridade. Há
ainda as pessoas com deficiência.
O centro de apoio ao trabalhador de São Paulo recebe milhares de pedidos de
emprego. O açougueiro Antônio vem todos os dias. Com 58 anos e mal sabendo ler
e escrever ele tem encontrado dificuldade.
“A pessoa olha para o mais novo e prefere”, diz Antônio Silva Souza,
desempregado, 58 anos.
“Se manter informada com as coisas que acontecem ao seu redor, na sua
comunidade, na sua cidade, porque quanto mais você se atualiza mais você sabe
buscar onde você precisa”, informa Daiane Oliveira de Paula, supervisora do
programa inclusão.
Vem de Maceió a história de uma desempregada que buscou novos caminhos para
voltar à ativa.
Depois de 12 anos trabalhando como recepcionista, Erlane foi demitida, ficou um
ano desempregada. Com 31 anos e apenas o segundo grau completo as coisas
complicaram, mas ela resolveu mudar esta situação.
Fez cursos de inglês, espanhol e auxiliar de cozinha. Recentemente foi
contratada por um novo restaurante pelo dobro do salário.
“As pessoas não devem desistir, nem criar tabu por causa da idade. A idade está
dentro de cada um e o segredo é nunca desistir e não deixar de se
profissionalizar”, diz Erlane laranjeiras, gerente de controle de alimentos.
A lei que obriga a contratação de pessoas com deficiência ajudou a por muita
gente no mercado. Mas as empresas se queixam da falta de preparo para o
serviço.
“A grande maioria não tem a qualificação necessária e por isso a gente cria
todo um programa de qualificação para nivelar estas pessoas e torná-las aptas a
entrarem num ambiente de trabalho, num departamento e desempenhar as funções
como todos os funcionários”, diz Gustavo Pierini, gerente de novos negócios.
Esse é o melhor caminho para quem tem baixa escolaridade. É preciso concluir
pelo menos o ensino médio antes de investir na carreira.
Já as pessoas com deficiência física: devem procurar cursos nas áreas
administrativa, financeira, informática, engenharia.
Quem tem deficiência visual têm maior sensibilidade nas mãos. Se adapta bem na
afinação de instrumentos musicais e atendimento ao público.
Deficiência auditiva - deve investir em cursos técnicos e de laboratório que
exijam concentração.
Pessoas com limitação intelectual se destacam em atividades de repetição. Se
dão bem na indústria de montagem e trabalhando em arquivos.
Cristina ficou nove anos sem trabalhar depois de um derrame. Se prepara agora
para recomeçar como atendente num banco. Está tão animada que até voltou para a
escola
“Não é só porque você é uma deficiente que eles são obrigados a pegar você. Se
você não tem um curso a mais, um conhecimento a mais, se você ficar parada no
tempo é porque você quer hoje em dia”, diz Cristina da Paz, atendente.
“Procurar aquilo que ela almeja e não desistir. Tem vaga pra as pessoas”,
completa a supervisora do programa inclusão.