Governo deve suspender FAP para quem contestou aumento do seguro
O
ministro da Previdência, José Pimentel, anunciou que o governo deverá editar na
próxima semana um decreto suspendendo a aplicação do FAP (Fator Acidentário
Previdenciário) para as empresas que sofreram aumento no Seguro de Riscos
Ambientais do Trabalho (RAT) e contestaram administrativamente a metodologia de
cálculo e o valor do acréscimo. A partir da edição do decreto, estas empresas
poderão recolher a taxa sem a aplicação do FAP, até o julgamento dos recursos.
O anúncio foi feito em audiência no dia 23 de fevereiro, em Brasília, a uma
delegação de empresários e sindicalistas da construção civil. Integraram o
grupo, entre outros, o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe; os
vice-presidentes de Relações-Capital Trabalho, Haruo Ishikawa, e de
Responsabilidade Social, Maristela Honda; os assessores jurídicos Renato Romano
e Rosilene Carvalho Santos; o presidente da Comissão de Política de Relações
Trabalhistas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Antonio Carlos
Gomes, e o presidente do Sintracon (trabalhadores da construção de São Paulo),
Antonio Ramalho.
Como se recorda, a Assessoria Jurídica do SindusCon-SP havia recomendado por
meio do Construmail, às empresas prejudicadas com a aplicação do FAP, que
ingressassem com recurso administrativo. Agora, elas devem aguardar a edição do
decreto, para saber como devem proceder.
Grupo de trabalho – Na audiência, o presidente do SindusCon-SP manifestou
grande preocupação com relação às ilegalidades e distorções detectadas na
metodologia de cálculo do FAP, que acabaram penalizando injustamente quem
investiu em segurança e saúde do trabalho e motivaram contestações
administrativas e judiciais por parte de milhares de empresas.
O ministro negou a existência de ilegalidades, mas também anunciou que a
Previdência irá constituir, nas próximas semanas, um grupo de trabalho composto
por representantes de trabalhadores, empregadores e governo, para estudar
modificações na metodologia de cálculo do FAP.
Este fator multiplicador, que varia de 0,5 a 2, pode reduzir ou aumentar o
valor do RAT, de acordo com o volume de acidentes de trabalho e afastamentos
por saúde ocorridos na empresa e em seu setor de atividade.
No encontro, o assessor jurídico Romano manifestou preocupação de que essas
ilegalidades desestimulem as empresas que investiram em segurança do trabalho.
Ele destacou que acidentes no trajeto para a empresa também estão sendo
computados incorretamente como acidentes de trabalho. Pimentel concordou em que
essa questão precisará ser revista.
Recursos – O ministro fez um apanhado da legislação, mostrando estatísticas,
aumentos e reduções do RAT. Segundo ele, no caso da construção, 43.641 tiveram
decréscimo e 10.258 sofreram aumento do Seguro de Riscos Ambientais do Trabalho
(que até o ano passado denominava-se SAT –Seguro de Acidentes do Trabalho).
Pimentel informou que foram interpostos cerca de 7 mil recursos
administrativos, de um total de 72.628 empresas que tiveram ônus com a
implantação do novo sistema FAP. A intenção do Ministério é que o grupo de
trabalho tenha sua primeira reunião após a análise e julgamento dos recursos
administrativos pendentes, o que deverá ocorrer em 15 dias.