Reurbanização é desafio empresarial
 
 

Hoje, com menos entraves jurídicos, o setor imobiliário tem grande poder de intervenção e reorganização urbana e mais proximidade com o poder público

Uma história muito comum na cidade de São Paulo pode ser resumida assim: certa favela consegue, com muita luta e com algumas "dádivas" políticas, benefícios como tarifas sociais, coleta de lixo, equipamentos etc. Os moradores, bem ou mal, investem dinheiro na aquisição e manutenção de barracos. A baixa qualidade das moradias leva o território a sua volta a uma condição predatória, inibindo o desenvolvimento imobiliário e desqualificando outras propriedades próximas.

Conseqüentemente, as áreas em torno do núcleo passam a ter baixa ocupação e, quando muito, indústrias em processo de abandono ainda se mantêm no local. Na maior parte das vezes, ao redor restam propriedades estatais vazias ou invadidas, na mais perfeita ilegalidade. Tal situação poderia ser resolvida por um empreendimento imobiliário competente, que solucionasse os três problemas descritos no exemplo: o sócio-econômico, o físico-territorial e o jurídico. O empreendimento atenderia questões de interesse público, oferecendo um bom negócio como premissa básica para todos os agentes intervenientes - técnicos, produtores, demandatários, agentes de financiamentos etc.

Histórias como essa se repetem numerosas vezes na capital paulista e em outras metrópoles brasileiras, trazendo problemas sociais e econômicos de várias ordens. A solução para esses casos é a reurbanização consciente, que só pode ser efetivada por novas organizações empresariais privadas, capacitadas a identificar tendências e demandas de transporte, habitação, comércio e educação.

Os agentes públicos têm demonstrado sua impossibilidade de articular as várias disciplinas e atividades técnicas recomendáveis nesse tipo de intervenção. Organizados verticalmente, os governos agem em áreas estanques, como saúde, habitação transportes etc.

A administração da cidade de São Paulo poderia organizar o gerenciamento de segmentos como, por exemplo, das Marginais. Isso, sem dúvida, obedeceria aos melhores princípios do urbanismo contemporâneo - aliás, uma idéia cogitada e anunciada pelos atuais governantes, que poderia iniciar a quebra da tradicional organização das administrações regionais baseada na distribuição dos cargos por critérios político-eleitorais. Não que isso seja, necessariamente, um mal, mas tem dificultado a solução de problemas dos compartimentos urbanos e corredores que estruturam a cidade.

Aqui temos "clusters" como o madeireiro (Brás e Butantã e respectivas adjacências), de eletroeletrônicos (Santa Efigênia), corredores de intenso comércio e serviços (25 de Março, São Gabriel, Voluntários da Pátria etc) que merecem atenção especial, com problemas específicos e de articulação com segmentos urbanos por eles influenciados e neles influindo. Também os corredores estruturadores do transporte - as longas avenidas Santo Amaro e Celso Garcia, por exemplo - percorrem vários bairros e os problemas aumentam a cada dia, remetidos apenas teoricamente para algumas administrações regionais.

Fonte: PINIweb.

 

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