Faturamento da indústria cai 4,3% em 2009, o pior resultado em seis anos
Em dezembro,
porém, faturamento cresceu 3,5% e chegou a nível pré-crise.
Emprego e horas trabalhadas tiveram em 2009 o pior resultado da série.
O
faturamento da indústria subiu 3,5% em dezembro, o melhor resultado para este
mês desde 2003, mas, no acumulado de todo ano passado, registrou um recuo
4,3%, informou nesta quarta-feira (10) a Confederação Nacional da Indústria
(CNI).
Segundo a
entidade, o desempenho do faturamento industrial em todo ano de 2009,
período ainda marcado pelos efeitos da crise financeira internacional na
economia brasileira, foi o pior resultado em seis anos. A série histórica
da CNI tem início em 2003.
A entidade
acrescentou, porém, que, no quarto trimestre do ano passado, frente aos três meses
anteriores, o faturamento da indústria cresceu 3,5% e, com isso, o
resultado de dezembro atingiu superou o patamar pré-crise (setembro de 2008) em
0,2%.
"O
resultado da crise, em 2009, foi um retrocesso para a indústria. A recuperação
registrada no fim do ano passado ainda não foi suficiente para superar
totalmente os efeitos da crise no emprego e nas horas trabalhadas. Ainda
não podemos dizer que voltamos à normalidade. A conta da crise foi paga pela
indústria brasileira", avaliou o economista da CNI, Flávio
Castelo Branco.
Emprego industrial
Dados da CNI
mostram que o emprego industrial também apresentou bom desempenho em dezembro,
ao crescer 1,7% na comparação com o mês anterior. Este foi o sexto
mês consecutivo de elevação. Em todo ano passado, porém, houve uma queda
de 3,1% - a maior desde 2003.
"A
recuperação do emprego se consolida. No quarto trimestre de 2009, frente ao
mesmo período do ano anterior, o emprego cresceu 2,1%. Apesar da consistente
recuperação do emprego, o indicador dessazonalizado de dezembro ainda não
superou o patamar pré-crise e se mostra 1,9% inferior ao registrado em setembro
de 2008", informou a CNI.
Horas trabalhadas na produção
No caso das
horas trabalhadas na produção, indicador que mais se aproxima da produção
industrial, houve uma queda de 0,4% em dezembro, na comparação com o mês
anterior. Foi o primeiro recuo desde agosto do ano passado.
Já nos
acumulado de todo ano de 2009, houve um recuo maior ainda nas horas
trabalhadas: de 7,6%. Este também foi o pior desempenho também o maior recuo
desde 2003, quando tem início a série histórica da CNI.
"O
número de horas trabalhadas é o indicador que se recupera mais lentamente dos
impactos da crise frente às demais variáveis pesquisadas: o indicador de
dezembro de 2009 ainda se mostra 7,1% inferior ao de setembro de 2008",
informou a entidade.
Uso do parque fabril
O nível de
utilização do parque fabril (capacidade instalada) também avançou em
dezembro de 2009 - contra o mês anterior. O indicador dessazonalizado
atingiu 81,7% em no fim do ano passado, na comparação com 81,3%
em novembro. O resultado de dezembro é o maior valor desde outubro de 2008
(82,5%).
"Dos
doze meses de 2009, em nove a UCI [utilização da capacidade instalada da
indústria] registrou expansão. Cabe destacar que a expansão da UCI ocorre
de forma constante, mas gradual", informou a Confederação Nacional da
Indústria.