Economistas-chefes de bancos e instituições financeiras começam a
elevar suas projeções para o câmbio ao final deste ano, mas o movimento ainda é
sutil. Das seis casas consultadas pelo iG, nenhuma tem expectativa de que a
moeda americana encerre este ano no patamar dos R$ 2,00. A maior projeção é do
Santander, com R$ 1,95, num cálculo feito há seis meses
Das
instituições pesquisadas, Brascan Gestão de Ativos, Gradual Investimentos e o
Banco Fator elevaram suas projeções. Já Ativa e Bofa Merrill Lynch mantiveram.
Santander também não fez alterações, mas não informa se tem intenção ou não de
mexer na estimativa.
Aumento de
aversão a risco com notícias ruins das economias da Europa e a piora no déficit
brasileiro de transações correntes são citados como as principais fontes para
as mudanças. Também entram nessa conta as dúvidas em relação ao aperto
monetário na China e o medo dos investidores em relação às declarações do
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre um aperto de regras no
setor. A eleição presidencial brasileira não foi citada por nenhuma das instituições,
que já tinham considerado essa variável em seus cenários projetados
anteriormente.
Estresse limitado
Os
especialistas acreditam, no entanto, que o estresse pelo qual passa o
mercado no momento não durará até o fim do ano. Para eles, haverá novo ajuste
da moeda, para baixo, até dezembro. “Juntamos Obama, China, Europa e a piora da
conta corrente no Brasil e temos essa inclinação de ligeira desvalorização”,
diz o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. A
projeção dele para o câmbio subiu de R$ 1,75 para R$ 1,80 na última
sexta-feira.
A conta
corrente do Balanço de Pagamentos brasileiro teve um resultado negativo de US$
24,334 bilhões em 2009, o correspondente a 1,55% do Produto Interno Bruto
(PIB). Em 2008, quando a crise global abalou o resultado das contas externas do
país, o déficit foi de US$ 28,192 bilhões (1,72% do PIB), o pior em uma década.