O consultor Chuck Lucier
comprovou que apenas quatro ideias copiadas e transpostas de um segmento para o
outro foram responsáveis por ao menos 80% dos “negócios inovadores” criados nos
EUA entre 1965 e 1995
De forma
geral, as maiores oportunidades
para uma empresa se diferenciar
e crescer estão em fazer o que a organização já faz, mas de um jeito um pouco
diferente. Como? Por exemplo, copiando e adaptando o que dá certo em empresas
de outros ramos.
Num estudo publicado anos atrás, o consultor Chuck Lucier comprovou que apenas
quatro ideias copiadas e transpostas de um segmento para o outro foram
responsáveis por ao menos 80% dos “negócios
inovadores” criados nos EUA entre 1965 e 1995. Cada uma dessas ideias
fez sucesso, primeiro, num determinado ramo. Digamos na venda de alimentos. E,
aos poucos, foi sendo reaplicada em outros segmentos, como venda de artigos de
escritório, de eletro-eletrônicos, de material de construção e assim por
diante. Se você analisar a fundo, vai se dar conta de que muitos negócios
altamente inovadores, na realidade, são “reinterpretações” de modelos que deram
certo em outros mercados.
Para comprovar que pratico o que prego, a Franchise Store, a bem sucedida loja
física que comercializa franquias
de mais de 60 marcas que meus sócios - Fernando Campora e Filomena Garcia - e
eu implantamos em São Paulo há cerca de um ano, foi inspirada nas agências
imobiliárias e nos private banks que existem aos montes. E, de certa
forma, também nas feiras de franquias. Inovador não foi oferecer várias opções
de negócio num único ambiente. Inovador foi usar esse modelo para comercializar
franquias, em lugar de imóveis ou fundos de investimento. E num ambiente que,
ao contrário das feiras, funciona o ano inteiro.
Na maioria dos casos, adaptar conceitos, modelos e formas de atuar cujo sucesso
já foi comprovado em outros tipos de empresa é mais barato, mais fácil de
implementar e menos arriscado do que criar formas de atuação ou conceitos de
negócio inteiramente novos. Até mesmo porque, cá para nós, não existem
diferenças substanciais entre um supermercado, uma loja de roupas, uma usina de
concreto, uma escola e um hospital.
O segredo do sucesso está em saber o que imitar, o que adaptar e o que alterar
radicalmente. Além, é claro, de ter a equipe certa, capacitada e gerida da
forma correta para executar - com disciplina e disposição para fazer acontecer
- os processos necessários e transformar os “inputs” necessários (sejam
tecidos, cimento, remédios, pessoas, ideias, papel, energia, conhecimento,
etc.) em “outputs” (roupas, sapatos, pizzas, livros, softwares, projetos,
edifícios ou o que sejam) que tenham valor aos olhos de uma quantidade razoável
de consumidores, de tal forma que estes se disponham não só a adquirir esses
“outputs”, como também a pagar por eles mais do que custa, à organização, para
produzi-los, comercializá-los e entregá-los.
Ou seja: é na gestão que está o segredo do sucesso. O resto é o resto.