Investir ou não investir? Eis a Questão - DATA 02/02/2009
 

O mercado da construção civil voava em céu de brigadeiro em meados do ano passado. Os números de produção, de faturamento e de lucros cresciam mês após mês, quebrando recordes sucessivos. Aí aconteceu a CRISE!

 

Se ela é real ou virtual, se vai ser leve ou intensa, se vai ser curta ou duradoura, ninguém ainda sabe. Mais um fato é certo: o mercado hoje já não se comporta mais como antes. As vendas e os volumes de produção já caíram e a única certeza que temos é a absoluta incerteza sobre o que o futuro nos reserva.

 

Nessas condições, uma pergunta muito freqüente que tenho ouvido dos empresários é se os investimentos que estavam programados devem ser mantidos, adiados ou simplesmente cancelados. A resposta não poderia ser mais descomprometida: depende! Vamos tentar explicar melhor.

 

Por que uma empresa investe? Há basicamente três razões que levam uma empresa a decidir por aumentar o seu investimento no negócio: aumentar a capacidade de produção, aumentar o seu capital de giro para financiar o crescimento do negócio ou atualizar a sua tecnologia (equipamentos, instalações e processos).

 

Até antes dos primeiros sinais da crise, os dois primeiros motivos estavam na consideração de nove dentre cada dez empresas do setor da construção civil. Parecia que buscar recursos (próprios ou de terceiros) para crescer a capacidade de produção ou para financiar o crescimento dos estoques e do contas a receber fazia todo o sentido. E fazia mesmo! Essa era a coisa certa a fazer, já que nada indicava que a situação no Brasil iria se modificar no curto prazo.

 

Porém, neste momento, não há certeza se os volumes crescentes de produção voltarão a se manifestar no curto prazo. Nesse cenário, o mais sensato a fazer é colocar na geladeira os planos de investimentos em capacidade de produção e de aumento do capital de giro, e esperar até que a situação se modifique e a visão do futuro do mercado possa ser sentida no fluxo dos pedidos que entram na empresa. Até lá, preserve o seu fluxo de caixa para fazer frente aos dias difíceis que poderão vir pela frente.

 

Já os investimentos na melhoria da sua base tecnológica precisam ser vistos de maneira totalmente diferente. Melhorar os equipamentos, as instalações e os processos têm como objetivo, na grande maioria das vezes, a redução dos custos operacionais. E, diminuir os custos é algo desesperadamente necessário nos tempos de crise. Se os volumes de venda caem e se os preços praticados no mercado diminuem por causa da ação predatória da concorrência, sua sobrevivência no longo prazo só será possível se você tiver a capacidade de reduzir rapidamente os seus custos para preservar o seu lucro, pelo menos em um nível mínimo. E diminuir custos sem mexer na base tecnológica é muito complicado.

 

Por isso, se você tem projetos programados que vão lhe favorecer no fortalecimento da sua base tecnológica e isso vai lhe trazer custos operacionais mais competitivos, este é o momento de mantê-los. Sacrificá-los ou adiá-los somente poderá aumentar o risco de você não conseguir passar pela crise.

 

Bons negócios e bons lucros!

Wagner Lucato – 02/02/2009


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